Dá para sentir quando um padrão está ameaçado: de repente, alguém aparece dizendo que aquele cabo “de sempre” pode virar coisa do passado. Foi exatamente isso que aconteceu na China, onde surgiu um novo padrão de cabo chamado GPMI, com a ambição de unificar as interfaces multimídia - e, de quebra, derrubar (entre outros) o velho conhecido HDMI.
No fim dos anos 2000, muita gente começou a se familiarizar com o HDMI na prática - por exemplo, ligando um PS3 recém-comprado a uma TV HD Ready (ou, para alguns, já Full HD). Discreto e simples de usar, ele prometia finalmente uma imagem limpa, sem dor de cabeça, no lugar da antiga péritel/SCART. Desde então, acompanhou a digitalização de tudo, evoluiu quase sem chamar atenção e virou um padrão universal: comum, quase banal, mas ainda essencial.
Le GPMI en Chine pour bousculer le HDMI
Na China, cerca de cinquenta empresas juntaram forças (via SUCA, sigla de Shenzhen 8K UHD Video Industry Cooperation Alliance) para criar um novo padrão: o GPMI (General Purpose Multimédia Interface). A proposta é um cabo capaz de levar vídeo e áudio, claro, mas também dados e até energia elétrica. Em outras palavras, um único cabo para “controlar tudo”.
Entre os nomes do setor que contribuíram para o projeto GPMI estão Huawei, Lenovo, TCL, Skyworth e Hisense - e é fácil entender por que esse formato desperta curiosidade.
A ideia é dar adeus ao emaranhado de cabos diferentes para vídeo, alimentação e dados, e ficar com uma única conexão: capaz de exibir imagem em 8K a 120 Hz, alimentar aparelhos e, possivelmente, fazer os dispositivos “conversarem” entre si, tudo pela mesma porta. HDMI, cabo de energia e USB/Ethernet reunidos em um só, portanto.
Na parte de conectores, o GPMI aparece em duas versões: uma com tomada proprietária (tipo B, 24+4 pinos), oferecendo 192 Gbps (ou seja, 4 vezes mais que o HDMI 2.1) e até 480 watts de potência; e outra em USB Tipo-C, que pode chegar a 96 Gbps e entregar até 240 watts.
No longo prazo, a China espera que essa nova norma GPMI se torne um padrão mundial para interfaces multimídia, no mesmo patamar de USB ou Ethernet.
Vale lembrar que o GPMI também pode transmitir energia suficiente para alimentar diretamente um monitor ou televisor, sem precisar de cabo de força, oferecendo mais potência do que o USB-C. Bem prático.
E, claro, para a China isso também funciona como uma forma de reduzir a dependência de tecnologias ocidentais e seguir estabelecendo padrões próprios em áreas estratégicas, como conectividade, semicondutores, inteligência artificial e 5G.
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