A Mazda anunciou uma nova aliança com a chinesa Changan para cumprir as metas de emissões de dióxido de carbono (CO₂) impostas pela União Europeia (UE). A parceria se soma à já conhecida colaboração com a Tesla, revelada no começo do ano.
A relação entre Mazda e Changan não é novidade. As duas marcas já atuam juntas na China por meio da Changan Mazda, uma joint venture recentemente fortalecida com o desenvolvimento e a produção de modelos elétricos, como o Mazda 6e. Agora, essa ligação passa a ter uma dimensão europeia, com impacto direto nas metas ambientais.
O acordo vale para 2025, mas permanece aberto a outros fabricantes até o fim de novembro, segundo avançou a Reuters. A ideia é criar agrupamentos de emissões (emission pools) que permitam às marcas combinar seus resultados e, assim, evitar multas.
Metas de emissões
Vale lembrar que, em março, a UE anunciou uma mudança nas regras de cálculo das emissões de CO2, concedendo aos fabricantes três anos para cumprir a meta. Se, num primeiro momento, a média de 93,6 g/km de CO2 (WLTP) teria de ser alcançada até o fim deste ano, agora passará a contar a média dos anos de 2025, 2026 e 2027.
Ainda assim, essa meta coloca diversos fabricantes em risco de descumprimento. Explicamos tudo o que está em jogo no episódio n.º 71 do Auto Rádio:
Apesar da flexibilização, muitas marcas seguem sob risco de não cumprir. Em caso de falha, terão de pagar 95 euros por cada grama de CO₂ acima do limite, por veículo vendido. De acordo com a ACEA (Associação Europeia de Fabricantes Automóveis), as multas poderiam chegar a 15 bilhões de euros antes da revisão do cálculo.
Os agrupamentos de emissões, ou emission pools, são um mecanismo oferecido pela UE para ajudar os fabricantes a cumprir as metas de emissões, evitando penalidades elevadas.
Na prática, isso significa que um fabricante em risco de descumprimento pode se unir a outro que não esteja nessa situação e, dessa forma, as emissões de ambos passam a ser calculadas em conjunto.
Outros agrupamentos
Além de Mazda e Changan, vários outros fabricantes já anunciaram agrupamentos de emissões. Na semana passada, soube-se que Nissan e BYD também iriam se unir. E, no início deste ano, Mercedes-Benz e Volvo também anunciaram sua parceria.
Recentemente, a KG Mobility (antiga SsangYong) informou que se agruparia à fabricante chinesa de veículos elétricos XPeng, com o objetivo de cumprir as metas de emissões. Eventuais novos acordos entre outras marcas deverão ser fechados até 31 de dezembro de 2025.
Não é a primeira vez que isso acontece. Já em 2020/2021, os fabricantes também se agruparam para cumprir as metas estabelecidas. O caso mais conhecido foi o da antiga FCA (Fiat Chrysler Automobiles), que se uniu à Tesla para as contas das emissões. A quantia paga pela primeira à segunda ajudou a financiar a construção da fábrica da Tesla na Alemanha.
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