A Tesla tem se colocado, nos últimos anos, como uma das empresas que mais vocalizam a aposta em condução autônoma e em táxis-robôs. Em 2024, a marca chegou a apresentar o Cybercab, mas indicou que a fabricação só deve começar em algum momento antes de 2027.
Só que, desta vez, quem saiu na frente foi o Grupo Volkswagen: por meio da MOIA, sua subsidiária voltada a mobilidade, a empresa revelou o ID. Buzz AD, seu primeiro veículo de condução autônoma pensado do zero para operação em serviços de transporte.
“Com a nossa solução totalmente autônoma, estamos criando uma oferta de mobilidade que é única neste formato”, declarou Oliver Blume, CEO do grupo.
ID. Buzz AD da Volkswagen/MOIA: como é o táxi-robô
O ponto de partida é um ID. Buzz, mas o ID. Buzz AD foi modificado para a função. A distância entre-eixos ficou maior e há um módulo elevado no teto, que denuncia a presença de sensores e hardware dedicado.
Por dentro, o layout foi desenhado para transportar quatro passageiros, com embarque e desembarque pela porta lateral deslizante, facilitando o acesso em operações urbanas.
Sensores, Mobileye e nível 4 de condução autônoma
A elevação no teto abriga parte do conjunto de sensores - e ele é grande: são 27 sensores no total, distribuídos para garantir visão 360° do ambiente, incluindo:
- 13 câmeras
- 9 LiDAR
- 5 radares
Além do módulo no teto, alguns sensores também ficam visíveis em diferentes pontos da carroceria. O sistema de direção autônoma foi desenvolvido pela Mobileye e, segundo a MOIA, coloca o veículo no nível 4 de condução autônoma - isto é, ele pode operar sem intervenção humana.
Na prática, o nível 4 costuma estar ligado a um domínio operacional definido (por exemplo, áreas e rotas específicas, regras de operação, condições climáticas aceitáveis). Por isso, embora o carro dispense um motorista durante a operação, a implantação em uma cidade tende a exigir planejamento de rotas, validações e preparação do serviço.
AD MaaS: veículo + serviço para operar frota
A proposta não se limita à compra do automóvel. A MOIA afirma que os operadores levarão também um serviço completo, já que o pacote inclui a plataforma AD MaaS (Autonomous Driving Mobility as a Service).
Esse software permite administrar a frota em tempo real com apoio de Inteligência Artificial, além de oferecer recursos de suporte aos passageiros - com foco em segurança e integração com aplicativos de reserva.
Um ponto que normalmente pesa nesse tipo de operação é a retaguarda do dia a dia: recarga, manutenção, limpeza e redistribuição dos veículos conforme a demanda. Mesmo sendo um produto “pronto para rodar”, a eficiência do serviço costuma depender de como a frota é posicionada na cidade, dos tempos de recarga e da capacidade de responder a picos de procura.
Segurança e requisitos SAE no nível 4
Como segurança é um tema central em veículos autônomos, a MOIA diz que o ID. Buzz AD atende aos requisitos regulatórios do padrão SAE para nível 4, incluindo itens como:
- supervisão remota
- capacidade do sistema de responder quando surgem situações que exigem ação
Por isso, a empresa descreve o ID. Buzz AD como mais do que um táxi-robô: seria um pacote “chave na mão” para que “serviços de mobilidade autônoma possam ser lançados rapidamente, com segurança e em escala”, segundo a MOIA.
Quando o ID. Buzz AD vai estrear?
A Volkswagen marcou a estreia do seu táxi-robô para o início de 2026, em Hamburgo, na Alemanha. Depois disso, a estratégia prevê expansão para outras cidades europeias e também para os Estados Unidos.
Um mercado bilionário (e com concorrência antiga)
Os táxis-robôs vêm sendo apontados como uma das frentes com maior potencial de crescimento nos próximos anos. Projeções citadas para o setor indicam que o mercado pode ultrapassar US$ 100 bilhões (cerca de € 86,77 bilhões) em 2031.
Apesar de Grupo Volkswagen e Tesla estarem entre os nomes mais comentados, a categoria não é exatamente nova. A Google, por meio da Waymo, já opera táxis-robôs em várias cidades dos EUA desde 2018. Na China, diversas cidades também contam com serviços semelhantes, com destaque para empresas como a Baidu.
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