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A Bentley deu asas novas ao seu emblema por um bom motivo

Carro esportivo verde metálico Bentley Winged B 2025 exposto em ambiente interno moderno.

O “Winged B” é uma peça central da identidade da Bentley desde o nascimento da marca e, por isso, quase nunca muda. Em mais de 100 anos de trajetória, esta é apenas a quinta vez que a fabricante britânica decide reformular o símbolo.

Mais do que uma atualização estética pontual, a mudança marca um momento estratégico: o novo emblema funciona como sinal de partida para uma fase inédita no design da Bentley - uma transição com peso histórico e com implicações no que a marca pretende comunicar daqui para a frente.

Esse novo capítulo começa a ficar visível já em 8 de julho, quando o novo “Winged B” vai aparecer pela primeira vez em um carro-conceito. Não se trata de uma prévia direta de um modelo de produção, mas sim de uma vitrine para apresentar a nova linguagem de design que passará a orientar os próximos projetos.

O novo “Winged B” da Bentley (2025)

Criado integralmente pela própria equipe da Bentley e desenvolvido sob supervisão de Robin Page, diretor de design da marca, o novo emblema foi pensado para apontar para o futuro sem apagar a herança construída ao longo do tempo.

Com traços mais agudos e um visual mais contemporâneo, o novo “Winged B” busca inspiração nas asas angulares de um falcão-peregrino - considerado o animal mais rápido do planeta, capaz de ultrapassar 300 km/h. Ao mesmo tempo, ele elimina as penas inferiores que existiam na versão anterior, adotando uma solução mais limpa e com foco em minimalismo.

Para Robin Page, “se uma marca de luxo é o resultado das histórias que ela criou, então o seu emblema é a sua assinatura”. Assim, a mudança não representa apenas uma evolução visual: ela também antecipa uma Bentley mais ousada e com postura mais afirmativa no que vem pela frente.

Além do capô, essa simplificação conversa com uma necessidade atual das marcas: garantir reconhecimento imediato em ambientes digitais, como telas de carros, aplicativos, sites e redes sociais. Emblemas com menos elementos e proporções mais bem definidas tendem a funcionar melhor em tamanhos reduzidos, sem perder legibilidade - algo cada vez mais importante para uma identidade global.

Também vale lembrar que, em fabricantes de luxo, o emblema é parte da experiência tátil e do acabamento: relevo, brilho, contraste e encaixe na carroceria influenciam a percepção de qualidade. Uma linguagem mais geométrica e precisa pode facilitar consistência de aplicação em diferentes superfícies e materiais, do metal ao ambiente virtual.

De 1919 ao futuro: a evolução do “Winged B”

O primeiro emblema da Bentley foi criado por F. Gordon Crosby em 1919, unindo a letra “B” a asas que simbolizavam desempenho e velocidade - atributos essenciais para W.O. Bentley, fundador da marca, desde os primeiros dias.

Com o passar dos anos, o “Winged B” passou por mudanças. A versão que por mais tempo esteve na dianteira dos modelos de produção apareceu em 1931, quando o desenho ganhou uma forma simétrica - ao contrário do original, que tinha mais penas de um lado do que do outro.

Em 1996, houve uma nova reformulação e, em 2002, já sob o controle do Grupo Volkswagen, o emblema voltou a adotar a assimetria de origem - com 10 penas de um lado e 11 do outro. Foi uma homenagem direta ao traço de Crosby e, ao mesmo tempo, um passo simbólico em direção à fase marcada pelo Continental GT.

O redesign de 2025, no entanto, é o mais audacioso até aqui. Ele estabelece uma separação mais clara em relação ao passado, com uma proposta menos orgânica e mais geométrica - preparando o terreno para um novo período na história da Bentley.

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