O IM L6 já não é novidade para quem acompanha a Razão Automóvel. Há poucos dias, inclusive, mostramos uma unidade realizando o teste do alce de forma totalmente autônoma - sem motorista.
Mesmo tão perto da apresentação oficial, ainda circulavam especulações desencontradas sobre a adoção de baterias de estado sólido. Agora está confirmado que o L6 não estreia essa tecnologia: ele vem, na verdade, com baterias de estado semissólido.
Baterias de estado semissólido: o que muda na prática?
A diferença está principalmente no eletrólito utilizado. Nas baterias de íons de lítio, o eletrólito é líquido; nas baterias de estado sólido, ele é sólido. Já nas baterias de estado semissólido, o conceito fica no meio do caminho: há partículas sólidas, porém suspensas em um líquido condutor.
Essa solução reúne vantagens importantes frente às duas alternativas tradicionais:
- Em relação às baterias de íons de lítio: tende a ser mais estável e mais segura, além de permitir maior densidade energética.
- Em relação às baterias de estado sólido: é mais simples de produzir, porque não exige mudanças radicais nos processos industriais já usados para as baterias de íons de lítio.
E isso tem um impacto direto no que mais pesa no bolso: custo. Em carros elétricos, o preço do conjunto de baterias continua sendo um fator decisivo no valor final do veículo.
Não por acaso, as baterias de estado semissólido estão ganhando tração na indústria automotiva por oferecerem esse equilíbrio. A própria IM Motors não está sozinha nessa aposta - a NIO também se prepara para introduzir em breve uma bateria semissólida.
Um ponto adicional que vale observar é que a maior densidade energética pode ajudar o projeto como um todo: para uma mesma autonomia, dá para reduzir massa e volume do pacote - ou, como no caso do L6, usar a tecnologia para buscar autonomias muito altas. Em paralelo, estabilidade e segurança melhores tendem a facilitar a calibração térmica (gestão de temperatura), algo crucial para desempenho consistente e carregamentos mais agressivos.
IM L6 e a promessa de mais de 1000 km de autonomia
A bateria de estado semissólido apresentada pela chinesa IM Motors (subsidiária da gigante SAIC, dona também da MG) é apenas uma entre três opções oferecidas no L6.
As outras duas são baterias de íons de lítio com química NMC (níquel, manganês e cobalto), com capacidades de 90 kWh e 100 kWh. Segundo o ciclo chinês CLTC, elas entregam autonomias de até 700 km e 770 km, respectivamente.
Já o IM L6 com a bateria de estado semissólido recebe o nome chamativo de Lightyear Max e traz 130 kWh de capacidade - uma das maiores já vistas em um veículo de passeio.
A arquitetura elétrica sobe para quase 900 V, o que abre espaço para recargas ultrarrápidas de 400 kW. A marca afirma que 12 minutos bastam para recuperar 400 km de autonomia. No total, a IM Motors anuncia mais de 1000 km de autonomia, novamente com base no CLTC.
Vale lembrar que o CLTC costuma ser mais otimista do que padrões usados em outros mercados (como o WLTP). Na prática, autonomia real pode variar bastante conforme velocidade, temperatura, relevo, tipo de pneu e uso de ar-condicionado - especialmente em um sedã com proposta de desempenho.
É barato… na China
Este sedã elétrico mira rivais como Tesla Model 3, Hyundai IONIQ 6 e Volkswagen ID.7. Ele é oferecido com duas configurações de motorização:
- Tração traseira (um motor)
- Tração integral (dois motores, um em cada eixo)
Na versão com motor traseiro, as opções de potência são:
- 216 kW (294 cv)
- 248 kW (337 cv)
- 300 kW (408 cv)
Na configuração com dois motores, a potência máxima chega a 579 kW (787 cv / 800 Nm), com aceleração de 0 a 100 km/h em apenas 2,74 s.
Além do conjunto mecânico, o IM L6 chama atenção pelo pacote tecnológico, incluindo chassi digital e a presença de um LiDAR - componente que viabilizou, por exemplo, a “acrobacia” citada no começo: fazer o teste do alce totalmente de forma autônoma.
No mercado chinês, o IM L6 já tem preços definidos: começa em 29 600 euros na versão Standard Max e vai a 38 600 euros na High Performance.
O IM L6 Lightyear Max, com a inédita bateria de estado semissólido, será lançado na China por valores abaixo de 42 500 euros.
A SAIC planeja levar a IM Motors para a Europa em 2025 - e o L6 teve sua estreia mundial no Salão de Genebra, no fim de fevereiro. Ainda assim, é difícil acreditar que os preços vistos na China se repitam no mercado europeu.
Por fim, a promessa de carregamento a 400 kW também depende do ecossistema: para atingir esse patamar, é necessário um carregador compatível e condições ideais. Mesmo quando a infraestrutura limita a potência máxima, arquiteturas próximas de 900 V tendem a sustentar curvas de recarga mais eficientes, ajudando a reduzir o tempo total conectado ao carregador.
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