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Espanha lança o IN + DEF, novo ecossistema de indústria e inovação para defesa.

Militar espanhol apresentando drone holográfico para jovens em sala com laptops e bandeira da Espanha.

O governo da Espanha lançou o programa IN+DEF, uma iniciativa conjunta dos ministérios da Defesa, da Indústria e Turismo e da Ciência, Inovação e Universidades voltada a fortalecer a base industrial e tecnológica de defesa. A proposta surge num contexto em que o país acelera sua agenda de autonomia tecnológica e de modernização militar, buscando aproximar formação, inovação e tecido empresarial em torno de capacidades estratégicas.

IN+DEF e a base industrial e tecnológica de defesa: foco em PMEs e startups

O objetivo principal do IN+DEF é ampliar, de forma concreta, o espaço de PMEs e startups na cadeia de valor da defesa, historicamente concentrada em grandes grupos. A leitura do Executivo é que o ecossistema precisa crescer e se diversificar: facilitar a entrada de novos participantes e aproveitar o atual ciclo de investimentos para consolidar competências nacionais em áreas críticas para a segurança.

Ao colocar pequenas empresas e negócios emergentes no centro do desenho, o programa tenta reduzir barreiras de acesso - de conexão com compradores e integradores até a adaptação de soluções ao ambiente regulatório e operacional do setor - e, ao mesmo tempo, estimular o surgimento de novos perfis profissionais alinhados às necessidades de defesa.

Os três eixos do programa IN+DEF

O IN+DEF está estruturado em três pilares complementares:

  1. Conhecimento (CEPI)
    O primeiro eixo é o de conhecimento, por meio do Centro de Estratégia e Prospectiva Industrial (CEPI). A missão do CEPI é oferecer inteligência industrial e antecipação tecnológica, ajudando a identificar tendências, gargalos e oportunidades para orientar decisões públicas e privadas.

  2. Formação especializada
    O segundo pilar é a formação, com programas executivos e mestrados em áreas como cibersegurança, inteligência artificial, tecnologias duais (uso civil e militar) e setor aeroespacial. A intenção é criar uma base de talentos capaz de sustentar projetos complexos e acelerar a absorção de inovação pelas empresas do setor.

  3. Inovação aberta
    O terceiro eixo é a inovação aberta, com hackathons e desafios tecnológicos desenhados para aproximar empresas, especialistas e soluções aplicáveis ao contexto de defesa. A lógica é conectar demanda e oferta de tecnologia com mais agilidade, encurtando o caminho entre ideia, protótipo e aplicação.

Conexão com os Programas Especiais de Modernização (PEM)

A iniciativa também se encaixa numa estratégia industrial mais ampla associada aos Programas Especiais de Modernização (PEM), que devem mobilizar bilhões de euros nos próximos anos. O governo apresenta os PEM como um dos grandes motores de emprego, inovação e capacidade produtiva no setor.

Dentro desse cenário, o IN+DEF pretende funcionar como ferramenta de suporte para que a expansão orçamentária não fique restrita às grandes empresas. A proposta é fazer com que os recursos cheguem também a fornecedores, empresas emergentes e novos perfis profissionais, ampliando a capilaridade do investimento e fortalecendo a base industrial como um todo.

O que disseram os ministérios

Na apresentação do programa, a ministra da Defesa, Margarita Robles, afirmou que o investimento em defesa “veio para ficar”. Já o ministro da Indústria, Jordi Hereu, defendeu que o setor se consolidou como um pilar estratégico não apenas para a segurança, mas também para a inovação, a coesão territorial e o desenvolvimento econômico.

Por sua vez, a ministra Diana Morant destacou que a soberania tecnológica começa na ciência e no conhecimento, enquadrando o IN+DEF numa visão de país que articula defesa, indústria e P&D.

O desafio da execução e o risco de impacto limitado

Além do anúncio, o ponto decisivo será a implementação. Se o IN+DEF conseguir integrar, de fato, pequenas empresas, qualificar mão de obra e acelerar a transferência de inovação para capacidades específicas, tende a se tornar uma das peças mais relevantes da nova política industrial de defesa espanhola.

Caso contrário, permanece o risco de o programa se limitar a um arranjo institucional ambicioso, mas com resultado restrito na prática - com baixa tração no ecossistema, pouca conversão de desafios em soluções e dificuldade de transformar formação e pesquisa em entregas operacionais.

Aspectos complementares: tecnologias duais, compras públicas e escala

Um ponto relacionado - e crucial para a efetividade do IN+DEF - é como as tecnologias duais serão tratadas. Soluções inicialmente criadas para o mercado civil (como análise de dados, sensores, comunicações seguras e automação) podem ganhar tração na defesa se houver clareza de requisitos, ciclos de validação bem definidos e mecanismos que permitam evoluir do protótipo para contratos recorrentes.

Também será determinante a coordenação com instrumentos de compras públicas, padronização técnica e critérios de certificação. Sem rotas claras para testes, homologação e escalabilidade industrial, muitas startups podem ficar presas na fase de demonstração, sem conseguir transformar inovação em produção e fornecimento contínuo.

Fotografia de capa utilizada apenas para fins de ilustração.

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