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Grupo Renault poderá fechar operações da Ampere. Não haverá despedimentos

Carro esportivo elétrico branco da Renault estacionado em ambiente interno moderno com carregadores elétricos.

Depois que o novo diretor-executivo, François Provost, assumiu o comando, o Grupo Renault passou a promover uma série de ajustes internos. Após o encerramento da Mobilize, a mudança da vez atinge a Ampere, unidade criada para desenvolvimento e produção de veículos 100% elétricos, que deverá ter suas operações encerradas como estrutura separada.

A informação foi divulgada por fontes sindicais, após Provost apresentar, em 21 de janeiro, um plano de consolidação voltado a otimizar operações e reduzir complexidades dentro do Grupo Renault.

Ampere (Grupo Renault) deve encerrar atividade em julho após cancelamento do IPO

Segundo o plano, a divisão de veículos elétricos deverá parar suas atividades em julho. Lançada em 2023, a Ampere previa realizar um IPO (Oferta Pública Inicial) no fim daquele ano. No entanto, a abertura de capital foi cancelada em janeiro de 2024 devido a condições de mercado desfavoráveis - cenário que, na prática, tornou a manutenção de uma entidade separada menos justificável dentro do Grupo Renault.

“Como não há mais IPO, não há mais necessidade de uma entidade específica, e é por isso que a Renault está reintegrando tudo, para simplificar e eliminar a complexidade inerente ao modelo inicial”, afirmou uma fonte à Reuters.

Esse movimento reforça uma tendência comum no setor automotivo: quando a estratégia de acesso a capital via mercado muda, também mudam os incentivos para manter estruturas independentes, conselhos e camadas de governança paralelas. A reintegração permite encurtar a tomada de decisão e unificar prioridades entre engenharia, industrialização e cadeia de suprimentos.

Não há demissões previstas

De acordo com o Automotive News Europe, não são esperadas perdas de postos de trabalho. A Ampere tem hoje cerca de 11 mil funcionários, entre operários e engenheiros. O jornal francês Les Echos acrescentou que um plano de aposentadoria antecipada para todo o grupo, previsto para o fim do ano, deve ajudar a reduzir qualquer impacto no quadro de pessoal.

O sindicato CFE-CGC declarou que “simplificar a organização da Ampere era necessário e esperado”. Em setembro, Provost já havia nomeado Philippe Brunet como chefe conjunto de engenharia da Ampere e do Grupo Renault, sinalizando que as duas estruturas vinham trabalhando de maneira cada vez mais integrada.

Além do aspecto organizacional, a mudança tende a facilitar o alinhamento entre cronogramas de produto, investimentos em plataformas e a priorização de projetos. Em um momento em que o mercado de veículos 100% elétricos passa por ajustes de demanda e pressão por margens, reduzir duplicidades internas pode liberar recursos para eficiência industrial e evolução tecnológica.

Fábricas do norte da França voltam à gestão direta da Renault

A direção da Renault “está adaptando a organização à realidade atual”, segundo o sindicato. Com isso, as fábricas no norte da França que produzem veículos elétricos como o Renault 5 e o Scenic - até então sob liderança da Ampere - devem voltar a ser supervisionadas diretamente pelo Grupo Renault.

Ainda assim, a Ampere não será eliminada por completo: a unidade deve manter uma equipe de engenharia atuando em novos desenvolvimentos.

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