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Aposta dupla da Mazda nos SUV em 2026 com tecnologias opostas

Carro SUV Mazda 2026 vermelho exibido em ambiente interno com chão branco e parede cinza.

A Mazda chega a 2026 com um plano claramente dividido em duas frentes: manter a combustão (com hibridização) e acelerar na eletrificação - sempre com foco em SUV, o tipo de carroceria que mais tem impulsionado os resultados da marca. No mercado europeu, essa preferência segue forte: em 2025, os SUV responderam por 59% das vendas.

De um lado, está a continuidade de um modelo absolutamente crucial para o desempenho global da fabricante. De outro, a consolidação elétrica em um dos nichos mais concorridos da Europa. O desenho dessa estratégia é pragmático e alinhado ao apetite do público por utilitários esportivos.

Estratégia da Mazda para SUVs em 2026: combustão e eletrificação lado a lado

Em 2026, a Mazda usa os SUV como base para sustentar volume e, ao mesmo tempo, construir presença no elétrico. Essa abordagem “dupla” permite atender perfis distintos: quem ainda prioriza abastecimento rápido e ampla oferta de postos e quem já quer migrar para um SUV 100% elétrico, com foco em tecnologia e menor custo de energia por quilômetro.

Outro ponto relevante é que, na Europa, as regras de emissões e os incentivos variam bastante por país. Por isso, oferecer mais de uma solução (gasolina com mild-hybrid, híbrido pleno e elétrico) dá flexibilidade para a marca ajustar versões e preços conforme cada mercado e suas políticas de tributação e circulação.

Novo CX-5 não pode falhar

A terceira geração do Mazda CX-5 desembarca em 2026 carregando uma responsabilidade enorme: trata-se do carro mais vendido da marca japonesa no mundo. Justamente por isso, a nova fase do SUV precisa acertar em cheio.

No visual, a Mazda optou por não “revolucionar” - e sim preservar uma identidade facilmente reconhecível. Ainda assim, o modelo cresce de forma relevante: o comprimento e o entre-eixos aumentam 115 mm. Na prática, isso se traduz em mais espaço para passageiros e também para a bagagem. Por dentro, a tela sensível ao toque passa a centralizar ainda mais funções, enquanto a quantidade de botões e comandos físicos é reduzida.

Em Portugal, o novo CX-5 já chega com valores anunciados, com preços a partir de 39.998 euros. Por enquanto, a gama é enxuta e se apoia em uma única opção mecânica: motor e-Skyactiv-G a gasolina, quatro cilindros, 2,5 litros, com sistema mild-hybrid de 24 V. São 141 cv e 238 Nm. O câmbio é sempre automático de seis marchas, e a tração pode ser dianteira ou integral.

A cilindrada mais alta pesa na carga tributária local, afetando ISV e IUC (impostos portugueses ligados, respectivamente, à tributação na compra e à taxa anual de circulação). Se, no caso do ISV, o esforço da Mazda Portugal ajudou a manter o SUV com preço competitivo frente aos rivais diretos, no IUC o CX-5 fica claramente em desvantagem.

E o plano não se limita a essa configuração. A volta do Diesel não está nos horizontes, mas a Mazda já confirmou um CX-5 *full-hybrid* (ou seja, que não precisa ser carregado na tomada) associado à nova geração de motores Skyactiv-Z - com chegada prevista apenas para 2027.

CX-6e é reforço elétrico de peso

A segunda grande aposta da ofensiva de 2026 é totalmente elétrica e ganha forma no Mazda CX-6e. Depois do sedã 6e, este SUV representa a entrada da Mazda no núcleo mais competitivo do segmento europeu de elétricos médios. E, por ser um SUV, passa a competir em um espaço de maior volume do que o das berlinas/sedãs.

Com porte próximo ao de modelos como o Tesla Model Y, o CX-6e será oferecido na Europa em apenas uma configuração: motor elétrico traseiro com 190 kW (258 cv) e 290 Nm, alimentado por bateria de 78 kWh. A autonomia declarada é de 484 km no ciclo combinado WLTP.

Na cabine, a proposta é assumidamente digital: o painel é dominado por uma tela central de 26″ e praticamente não há botões físicos. Há muito mais detalhes do CX-6e na análise em vídeo em que tivemos contato ao vivo com o SUV elétrico.

O Mazda CX-6e só chega a Portugal em junho, mas o preço já é conhecido: a tabela começa em 44.986 euros.

CX-60 e CX-80 afinados para 2026

Além das duas estreias, a Mazda também vai promover, em 2026, uma atualização “cirúrgica” em outro par de SUV - os maiores que a marca vende na Europa: CX-60 e CX-80.

O que muda? Nas motorizações Diesel 3.3 e-Skyactiv D, os conjuntos passam a atender ao padrão Euro 6e-bis e ficam liberados para uso de HVO100 (Óleo Vegetal Hidrotratado), um combustível produzido a partir de fontes renováveis. Segundo a Mazda, ele pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa em até 90%, considerando o ciclo de vida do combustível.

Na parte de tecnologia, a marca reforça os assistentes de condução, adiciona Amazon Alexa e revisa o sistema de navegação - com atualizações de mapas incluídas. Todas as versões também passam a contar com o Driver Emergency Assist, capaz de assumir o controle do veículo em situações de emergência médica. Somam-se a isso melhorias no isolamento acústico, novos acabamentos internos em couro Nappa nas versões Homura e novas opções de rodas.

Mazda só vai ter SUV?

O recado da Mazda para 2026 é direto: independentemente da tecnologia, a constante é o SUV. Pode não agradar a todos, mas os números sustentam a escolha - é a carroceria que mais entrega resultado para a marca. Ainda assim, existe espaço para lembrar do MX-5, um dos maiores ícones da fabricante.

A geração atual ND já completa cerca de uma década, e a próxima, a NE, está em desenvolvimento. Porém, o lançamento só deve acontecer em 2027. Até lá, o MX-5 serve como lembrete de que, mesmo cercada por um “mar” de SUV, a Mazda não abandona suas raízes.

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