Em 2025, pela primeira vez em sua trajetória, a Tesla registrou uma redução nas receitas totais. O faturamento caiu de US$ 97,6 bilhões (cerca de € 81,6 bilhões, pela cotação atual) em 2024 para US$ 94,8 bilhões (€ 79,2 bilhões), uma retração de 3%.
O recuo também apareceu com força no resultado final: o lucro líquido fechou em US$ 3,7 bilhões (€ 3,0 bilhões), queda de 46% em relação a 2024 e o menor patamar desde 2021, quando a empresa havia reportado US$ 5,5 bilhões (€ 4,6 bilhões).
Ao longo do ano, a receita total até deu sinais de recuperação em alguns trimestres, avançando de US$ 19,3 bilhões (€ 16,1 bilhões) no primeiro trimestre para US$ 28,0 bilhões (€ 23,4 bilhões) no terceiro. Ainda assim, no fechamento do ano o ritmo voltou a desacelerar: nos últimos três meses, a receita recuou para US$ 24,9 bilhões (€ 20,8 bilhões).
O principal peso veio do negócio automotivo, cujas receitas encolheram 10%, passando de US$ 77,0 bilhões (€ 64,3 bilhões) para US$ 69,5 bilhões (€ 58,1 bilhões). A margem operacional ficou em 4,6%, o nível mais baixo desde 2021.
Esse movimento ocorre em um cenário global de intensificação da concorrência em veículos elétricos, com pressão sobre preços, mudanças nos incentivos e consumidores mais sensíveis a custo total de propriedade (incluindo financiamento e seguro). Para a Tesla, esse ambiente tende a exigir ajustes finos entre volume, preço e rentabilidade.
Queda na produção e nas vendas
A dinâmica de produção acompanhou a piora. Em 2025, a Tesla fabricou 1.654.667 automóveis, 7% a menos do que em 2024. Desse total, 1.600.767 unidades foram Model 3 ou Model Y, uma queda de 5%.
Nas entregas, o recuo foi ainda maior: a companhia somou 1.636.129 veículos, 9% abaixo do ano anterior. Os Model 3 e Model Y responderam por 1.585.279 unidades, com baixa de 7%.
Além do impacto direto sobre receitas, uma desaceleração em produção e entregas costuma afetar a diluição de custos fixos e a eficiência operacional, o que ajuda a explicar a piora de margens. Também pode influenciar a dinâmica de estoques e a necessidade de calibrar a cadência das fábricas.
Expectativas para 2026: Tesla e mudanças de produção
Para 2026, a Tesla anunciou alterações relevantes no seu plano industrial. A unidade de Fremont, na Califórnia, deixará de fabricar o Model S e o Model X para abrir espaço ao robô humanoide Optimus, cuja versão Gen 3 deve ser revelada ainda neste trimestre.
Além disso, a empresa afirmou que a produção em massa do Tesla Cybercab, do Semi e do Megapack 3 está prevista para começar ainda em 2026, embora não tenha divulgado um cronograma com datas específicas.
No começo do ano, a Tesla também investiu cerca de US$ 2 bilhões na xAI, companhia de inteligência artificial responsável por produtos como o modelo de linguagem Grok. A ideia é levar essa Inteligência Artificial para carros, robôs e outros itens do portfólio, em linha com a direção descrita no Master Plan Part IV. Um acordo de colaboração entre as duas empresas prevê iniciativas conjuntas de IA, com conclusão esperada para o primeiro trimestre de 2026.
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