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Ninguém queria os Porsche com motor à frente agora já pedem um milhão

Carro esportivo prata Porsche 968 Turbo S estacionado em showroom com outros carros ao fundo.

Durante décadas, carros como Porsche 924, 944 e 968 carregaram o estigma de “patinhos feios” vindos de Stuttgart. Para muitos fãs mais tradicionais - especialmente os fiéis ao 911 - a receita de motor dianteiro, quatro cilindros e preço mais baixo parecia insuficiente para empolgar.

Só que o mercado de clássicos tem um hábito recorrente: ele revisa reputações, redefine ícones e transforma “azarões” em peças de desejo.

Porsche 968 Turbo S e a virada dos transaxle no mercado de colecionáveis

A prova disso aparece neste raríssimo Porsche 968 Turbo S, que vai a leilão pela Gooding Christies durante o evento de Amelia Island, nos dias 5 e 6 de março.

A expectativa é que o carro seja vendido por US$ 900 mil a US$ 1,2 milhão (aproximadamente € 830 mil a € 1,1 milhão), com potencial para estabelecer um recorde. Se bater a estimativa mais alta, pode se tornar o primeiro Porsche transaxle a ultrapassar oficialmente a marca de US$ 1 milhão.

De homologação para as pistas: como nasceu o Porsche 968 Turbo S

Lançado em 1993 como uma versão de homologação do Turbo RS de competição, o 968 Turbo S entregava 305 cv a partir do seu enorme quatro cilindros 3,0 litros turbo. O conjunto mecânico incluía câmbio manual de seis marchas, diferencial autoblocante, suspensão recalibrada e freios do 911 Turbo 3.6.

A Porsche chegou a planejar uma produção de 100 unidades. Na prática, porém, foram feitas apenas 14 - um número que ajuda a explicar por que esse modelo virou objeto de caça entre colecionadores.

O paradoxo do 968: de “difícil de vender” a altamente desejado

De forma quase irônica, as mesmas dificuldades comerciais enfrentadas pelo 968 quando era novo - e que acabaram contribuindo para a raridade extrema do Turbo S - hoje impulsionam sua aura. O que antes era visto como “alternativo” dentro da marca se converteu em exclusividade, e a exclusividade virou valor.

Vale lembrar que a arquitetura transaxle (com a transmissão na parte traseira, ajudando a equilibrar o peso) sempre foi um dos trunfos técnicos dessa família. Em termos de dinâmica, isso ajuda a explicar por que tantos entusiastas passaram a olhar para Porsche 924, 944 e 968 com mais respeito do que no passado.

Além disso, em um cenário em que os 911 colecionáveis se tornaram cada vez mais caros e disputados, modelos como o Porsche 968 Turbo S entram no radar como uma mistura rara de performance, engenharia diferenciada e produção microscópica - exatamente o tipo de combinação que costuma sustentar valor no longo prazo.

Fica a pergunta: seria este o começo de uma nova onda de valorização definitiva dos Porsche transaxle?

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